Por que devo vacinar o meu bebê?

Por que devo cumprir o plano de vacinas do meu bebê?

Cumprir o plano de vacinação do sistema público de saúde é fundamental para a saúde do seu bebê. Não se trata de acreditar ou não na eficácia das vacinas, elas funcionam independentemente disso, é um fato científico.

Nos últimos anos tem surgido, em alguns setores da nossa sociedade, a noção de que “estamos vacinando demais” ou de que “as vacinas não são seguras, porque não sabemos como são feitas”.

Essa noção perigosa e errada é semelhante a não querer atravessar uma ponte por medo que ela caia ou não entrar num automóvel por medo que os freios falhem.

Todos os dias atravessamos pontes e confiamos nos engenheiros que as construíram e também conduzimos nossos automóveis confiando que tudo foi feito com o maior cuidado. Porquê então pensar que cientistas com anos e anos de experiência e reconhecimento mundial estariam fazendo um trabalho menos rigoroso ao fabricar nossas vacinas?

Como funciona uma vacina?

Uma vacina consiste na injeção de material antigênico que irá provocar uma resposta do sistema imunitário, fazendo com que este produza anticorpos como se estivesse lutando contra uma infecção real.

Essa produção de anticorpos irá permitir que no futuro o sistema imunitário responda de uma forma eficaz ao entrar em contato com esse vírus ou bactéria, derrotando assim o agente patogênico antes que possa causar a doença.

A vacina contém normalmente o agente patogênico (vírus ou bactéria) inativado ou atenuado, de modo a provocar uma resposta imunitária sem causar a doença, mas em alguns casos pode conter apenas partes do agente patogênico, como por exemplo proteínas da cápsula do vírus, que são suficientes para causar a resposta imunitária.

Após a primeira administração da vacina seguem-se normalmente reforços, em intervalos determinados no plano de vacinação, até que se atinja o nível de imunização pretendido.

Todas as vacinas garantem 100% de imunidade?

Não, algumas vacinas garantem apenas imunidade parcial, mas mesmo nesses casos conferem uma maior capacidade de resistência à doença. Por isso, vale sempre a pena estar vacinado.

As vacinas têm efeitos secundários?

Sim, mas são geralmente de curta duração e bem tolerados. Os efeitos secundários mais usuais são dor ou inchaço no local da injeção, irritação cutânea, febre e mal-estar geral.

Lembre-se que esses efeitos adversos são de curta duração e apesar de causarem algum desconforto, fazem parte de um processo cujo objetivo é proteger a saúde do seu bebê.

Que vacinas fazem parte do Plano Nacional de Imunizações?

Fazem parte do Plano Nacional de Imunizações as seguintes vacinas (para saber quais as vacinas recomendadas em Portugal, consulte o calendário português de vacinação):

Na altura do nascimento:

  • BCG – ID – Imuniza o bebê contra a tuberculose. (Dose única)
  • Hepatite B – Imuniza o bebê contra a Hepatite B. (1.ª dose ao nascer e reforços aos 2 e 6 meses)

Entre os 2 e os 6 meses de idade:

  • Tríplice bacteriana – Imuniza o bebê contra Difteria, tétano e coqueluche – 3 doses aos 2, 4 e 6 meses e reforços aos 15 meses e 4 anos.
  • Haemophilus influenzae tipo B (Hib) – Imuniza o bebê contra a bactéria Haemophilus influenzae tipo b, que causa meningite, sinusite e pneumonia – 3 doses aos 2, 4 e 6 meses e reforço aos 15 meses.
  • Poliomielite – vírus inativado – injetável (VIP) – Imuniza o bebê contra a Poliomielite, também conhecida como paralisia infantil – 3 doses aos 2, 4 e 6 meses e reforços aos 15 meses e 4 anos (para a terceira dose e reforços pode ser tomada a VOP).
  • Rotavírus Humano (VORH) – Vacina oral que protege contra infeções por Rotavírus que causa diarreias graves – 2 ou 3 doses, conforme o fabricante da vacina.
  • Pneumocócita conjugada – Protege contra infeções por bactérias do tipo pneumococo que causam meningite, pneumonia, sinusite e otite – 3 doses aos 2, 4 e 6 meses e reforço aos 12 meses.
  • Meningocócita C conjugada – Protege contra infeções pela bactéria meningocóco C, que é uma das principais causas de meningite em crianças até aos 4 anos – 2 doses aos 3 e 5 meses e reforços aos 12 meses e 5 anos.

Entre os 6 meses e os 10 anos:

  • Influenza (Gripe) – Imuniza o bebê contra a gripe Sazonal – 2 doses, aos 6 e 7 meses e reforços anuais.
  • Poliomielite – vírus atenuado – oral (VOP) – Vacina oral que imuniza o bebê contra a Poliomielite, também conhecida como paralisia infantil – Usada como alternativa à terceira dose da VIP (6 meses) e nos dois reforços (15 meses e 4 anos).
  • Febre amarela – Imuniza o bebê contra a febre amarela (para crianças que residam ou viajem para área endêmica)– É tomada aos 9 meses, seguindo-se um reforço entre os 9 e 10 anos.
  • Hepatite A – Imuniza a criança contra a Hepatite A – É tomada em duas doses, uma aos 12 meses e outra aos 18 meses (não está disponível na rede pública).
  • Tríplice viral – Imuniza a criança contra sarampo, caxumba e rubéola – É tomada em duas doses, uma aos 12 meses e a segunda entre os 15 e os 24 meses.
  • Varicela – Imuniza a criança contra a varicela (catapora) – É tomada em duas doses, uma aos 12 meses e a segunda entre os 15 e os 24 meses. (na rede pública, uma única dose).
  • HPV – Imuniza a criança contra o Vírus do Papiloma Humano – Deve ser aplicada, de preferência, antes ou durante a adolescência, a partir dos 9 anos (não está disponível na rede pública).

As vacinas causam autismo?

Não, essa é uma crença sem qualquer fundamento científico, que se baseia num estudo falso publicado por um médico Inglês chamado Andrew Wakefield, que procurava relacionar a vacina tríplice viral com o aparecimento de autismo. O estudo foi contestado por vários investigadores e o seu autor foi entretanto proibido de exercer medicina.

Nos vários estudos realizados não foi encontrada qualquer relação de causa-efeito entre a vacina tríplice viral e o aparecimento de autismo.

No entanto, a falsa noção de que a vacinação causaria autismo fez com que vários pais, especialmente nos Estados Unidos e Inglaterra, deixassem de vacinar os seu filhos, o que provocou vários surtos de sarampo e caxumba.

Essa insensatez fez com que em 2008, o sarampo fosse novamente declarado endêmico em Inglaterra, algo que não acontecia há mais de 14 anos. Em 2008 ocorreu ainda uma epidemia de sarampo na Europa, com casos em Inglaterra, Áustria, Itália e Suíça.

Várias celebridades afirmam que vacinamos demais

Celebridades são isso mesmo, celebridades. Não são médicos nem cientistas, são apenas pessoas que, muitas vezes com a melhor das intenções, propagam informação errada, fruto do seu desconhecimento em relação à importância e modo de funcionamento das vacinas.

Lembre-se que o fato de alguém aparecer na TV ou ter um Blogue muito acessado, não confere automaticamente credibilidade para falar de saúde pública. Para isso é preciso basear as afirmações em fontes e estudos credíveis, algo que essas celebridades não fazem.

Por que devemos vacinar?

A vacinação é fundamental não apenas para imunizar o seu bebê, mas proteger toda a comunidade. Quando a maior parte das pessoas estão imunizadas contra uma doença contagiosa, acontece algo chamado de Imunidade de grupo ou Efeito Rebanho, que faz com que as pessoas que não podem tomar vacinas fiquem também com alguma proteção, uma vez que a doença não se pode espalhar facilmente.

Quando o número de pessoas imunizadas baixa drasticamente, a facilidade de transmissão da doença aumenta, desaparecendo assim o efeito de imunidade de grupo, como aconteceu em 2008 em Inglaterra quando o sarampo voltou a ser endêmico.

Por isso você deverá encarar a vacinação não só como algo necessário para a saúde do seu bebê, mas como uma obrigação para com a sua comunidade.

Quem não deve tomar vacinas?

Algumas pessoas, como certos pacientes oncológicos e pessoas com imunodeficiência (adquirida ou congênita) não podem ser vacinadas devido ao fato do seu sistema imunitário estar comprometido.

Existem também pessoas alérgicas a componentes de algumas vacinas, que não podem ser vacinadas.

No caso das mulheres grávidas devem ser evitadas algumas vacinas feitas com vírus enfraquecidos pois existe o risco do feto contrair a doença para a qual a mãe se está tentando imunizar.

Em caso de dúvida deverá consultar o seu médico de forma a saber se pode ou não tomar uma determinada vacina.

Quem deve ser vacinado?

Todas as restantes pessoas, seguindo para isso as recomendações do plano de imunizações estabelecido pelo Ministério da Saúde.

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